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É estranho ver as pessoas seguindo suas vidas mas no mesmo lugar de antes, e quanto mais pessoas do seu passado você vê, ainda lutando pelas mesmas coisas que querem, com as mesmas pessoas, nos mesmos lugares e felizes, aperta mais aquela sensação de estar no lugar errado. 2011 foi o cão, mas ao menos eu tinha todas as pessoas que se importavam comigo e me mantinham sã por perto, e o mais importante, com frequência. É difícil passar todos os dias ou ter ao menos um encontro por semana, salvo exceções, durante um ano e meio, com pessoas que você se aproximou e, em quatro anos, se importaram e cuidaram realmente de você mais do que pessoas que “te acompanharam” durante a vida toda e não tê-las fisicamente por perto com frequência. É difícil seguir numa direção nunca antes imaginada e sentir-se como se perdesse cada vez mais coisas no meio do caminho. Como se o melhor fosse ficar quieta, em seu lugar, onde nada pode entrar nem te machucar (mais) ou decepcionar, apenas guardando as memórias boas do que passou e aquilo que ainda não foi perdido. Dezoito anos e meio se passaram, quatro anos e meio se passaram, e as perdas parecem tão maiores que os ganhos. E quando você pensa que não vai chegar nesse ponto de novo, que não vai chegar ao fundo do poço.. Você já consegue vê-lo a uma distância não tão grande. E ele já não parece mais tão repulsivo. Assim como o fim da linha não pareceria mais repulsivo em uma situação dessas na qual a pessoa que foi criada para te criar, amar, respeitar e cuidar continua te apunhalando pelas costas a cada segundo. Não é como se eu precisasse das explicações alheias para enxergar isso. É como se eu apenas estivesse cansada delas, esfregando mais ainda na minha cara o que eu já constatei há tanto tempo e que tanto venho tentando deixar pra trás. Sem muito sucesso.

E essa dor que há tanto tempo eu não me permitia sentir, que foi se disfarçando, tomando conta da minha saúde, e que eu agora estou “descobrindo”, estudando, me deixando senti-la, tentando me desconectar disso tudo. 

Eu só queria que você percebesse que até quem não tem nada a ver com isso consegue me tratar extremamente mais digna e atenciosamente, e demonstra acreditar infinitamente mais em mim. E fazer tantas outras coisas básicas que eu jamais consegui de você, e que eu estou cansando de fingir que não dói. 

Mas uma parte de mim ainda não vê a hora de você ir.

E não seria a verdade a base de todo e qualquer tipo de relacionamento?

E eu queria entender o que eu preciso fazer pra te agradar. O que eu preciso ser. Porque até quem observa de longe percebe que eu não sou o suficiente, e nem nunca vou ser. Eu consegui ser forte por muito tempo, e num piscar de olhos, ou um mês, eu tenho conseguido recair boa parte de tudo que eu recuperei e adquiri nos últimos dois ou três anos. E ao mesmo tempo que eu sei que isso não é bom pra mim, eu me sinto indiferente. Eu me conheço e sei que pra esse sentimento de indiferença surgir porque existe alguma coisa muito fora do lugar. E eu não sei se tenho ânimo ou mesmo vontade o suficiente pra voltar ao lugar no momento.

E eu só queria que você entendesse que eu não estou tomando lados. Que eu não estou escolhendo alguém. Que eu simplesmente amo ambas as partes dessa situação e não consigo me desfazer, porque são fundamentais na minha vida. Eu não preciso que vocês se dêem bem, eu só preciso que vocês estejam aqui pra mim. Que eu possa me sentir bem por gostar de vocês. Porque naturalmente seria “pra sempre”. Mas eu sempre soube que “pra sempre” não existiria. Mas também não precisava ser o inferno na Terra. Eu só quero liberdade pra ter a minha própria opinião e pra lidar com isso da forma que eu me sinto melhor. Isso não deveria ser tão difícil. 

Eu cansei de viver no meio desses seus joguinhos. Dezessete anos depois, eu estou aprendendo a jogar, mas agora entendendo que na realidade quem perde não sou eu. Até uns dias atrás eu ficaria mal, inconscientemente imaginando o que eu poderia ter feito de errado pra você não me amar como deveria, ou ao menos não demonstrar, e por você estar sempre atrás de formas de me machucar emocionalmente e querendo jogar a culpa de tudo isso em mim. Cansei de ter que me contentar com o mínimo quando você dá o seu máximo pra outras pessoas. De discutir, “acertar”, te defender e quebrar a cara de novo na frente de todo mundo. Você não vale a pena. Esse sofrimento todo que você tem me causado nos últimos anos, afetando minha saúde e sendo tratado por você como “frescura” não vale a pena. Eu só espero que pra você esteja valendo a pena, e que essas pessoas te ajudem no final. Porque eu já me prejudiquei demais por você e não sei se conseguiria fazer isso comigo outra vez.  

As pessoas sempre vão embora, seja pra quilômetros longe de você, ou “pro céu”. E você tem que estar sempre preparada pra isso. E preparada para a falta de um adeus. Ou pra quando a pessoa simplesmente recusar a opção de despedir. Simplesmente sumir. Alguém alguma vez disse que quando você diz que ama alguém, está fazendo uma promessa para o coração dessa pessoa, e que deveria tentar honra-lo. Nem isso você tentou. Você é uma das pessoas nessa vida que eu deveria saber que posso confiar e que me ama incondicionalmente, mas eu não consigo ter essa certeza mais. Você nos colocou nesse lugar de novo. Você passou um ano me alimentando com uma mentira. Mas eu não vou mais correr atrás. E essa é a hora em que você deveria abrir os olhos e se preocupar, antes que seja tarde demais.


“Procura-se: Alguém que não me prenda, não me limite, não me mude. Alguém que me roube um beijo no meio de uma briga e me tire a razão sem que isso me ameaçe. Que me dissesse que eu canto mal e que eu falo demais e que risse das vezes em que eu fosse desastrada.”

“Procura-se: Alguém que não me prenda, não me limite, não me mude. Alguém que me roube um beijo no meio de uma briga e me tire a razão sem que isso me ameaçe. Que me dissesse que eu canto mal e que eu falo demais e que risse das vezes em que eu fosse desastrada.”

(Source: desapegar-se, via paisdasilusoes)